Estava eu hoje aconchegado no meu sofá a ver um episódio de Breaking Bad quando a campainha tocou. Eu, na minha inocência e pensando ser algo importante, fui atender. Como mosca distraída caída na teia, assim fui apanhado pelo grupo religioso andante favorito de nós todos, os testemunhas de Jeová.
Após lhes ter dito que não era crente e que estavam a perder o seu tempo, como se isso adiantasse de alguma coisa, lá me leu uma passagem da bíblia sobre a vida eterna, de onde surgiu uma pequena e saudável discussão.
O conceito de vida eterna é agradável? Claro que sim, à primeira vista. Ir para o paraíso é objectivo de qualquer cristão (o que põe em causa o altruísmo de muitos religiosos como interesseiro, curiosamente), e mesmo de pessoas de pouca fé ou de outras religiões. Felicidade infinita e tudo de bom para sempre… E eis que chego à conclusão que mais tarde ou mais cedo qualquer ser humano se fartaria, e aí tudo se iria tornar aborrecido.
Pensemos nisto um momento, independentemente da nossa fé ou opinião, por muito perfeito que seja uma vida eterna, iríamos acabar por nos habituar à sua perfeição, porque é assim que funcionamos. Mesmo que o nosso conceito de paraíso seja algo como uma eternidade passada com a Scarlet Johansson e com a Soraia Chaves como escravas sexuais e com um cateter na base dos testículos cuja única finalidade seria fornecer uma dose constante de heroína (sem nenhum dos seus efeitos nefastos porque duh, já estamos mortos), não interessa. Porque nós iríamos habituar-nos e iríamos fartar-nos e a partir daí seria monótono e, eventualmente, agoniante.
Ao menos no inferno, onde a tortura, sendo eterna, também acabaria por cair no hábito, há gente mais interessante a conhecer. Depois da nossa dose diária de dor excruciante poderíamos convidar o Genghis Khan e o Hitler para o jantar e falar um pouco sobre futebol.
A verdade é que precisamos de ambas as sensações para sermos verdadeiramente felizes. Só sentindo-nos mal de vez em quando é que daremos o devido valor quando nos sentirmos bem. É isso que dá sabor à vida. Quereríamos nós mesmo uma eternidade só com um Ying ou só com um Yang? Talvez não pareça assim tão boa ideia.
Com uma visão mais fatalista da vida, não seria possível apreciar mais o nosso curto tempo neste maravilhoso planeta e viver ao máximo, consoante os nossos ideais?
E não vejamos os maus acontecimentos como negativos, vejamo-los como sendo parte desta montanha russa em que todos andamos e aceitemo-los como parte fundamental da nossa evolução como pessoas.
Façamos o que queremos fazer, o que achamos que deve ser feito, o que achamos correcto. Desfrutemos do momento. Sejamos felizes agora e não num hipotético além. Vivamos.

